quinta-feira, 21 de julho de 2011
Eu ou não eu 3:10 PM
Tantos anos se passaram e continuo a mesma. A mesma incapacitada.
Fui privada por tanto tempo de fazer e ter o que queria, não, não era o material que iria me preencher, era o poder, que agora que o tenho, hajo novamente como uma criança egoista e mimada.
Tenho tanto medo do meu sofrimento, que proporciono o dos outros, temo tanto a perda, que faço os outros perderem, temo tanto o abandono, que abandono pra não ser abandonada.
O sentimento de se enxergar é o pior, ser e não tomar providencias, os atos impensados se tornam confortáveis, mas será que o conforto já não virou erro demais?
Está na hora de começar a pensar mais com a cabeça, com a adulta dentro de mim. Dar valor e ser valorizado. Amar com maturidade e ser amado.
domingo, 10 de abril de 2011
12:43 AM
Parada esperando no banco no meio da rua mais movimentada da cidade passei a perceber o que acontece ao redor, aquilo tudo me reprimia, me destruía, me incomodava. Pessoas indo e vindo, destinos estragados, corações dilacerados, repressões, ódio, inveja,insatisfação.
Há um certo ponto na vida em que se chega que nos torna muito mais sensíveis a sentir esse tipo de coisa ao redor, quando você passa pelo limbo, enxerga facilmente quem ja é adepto a ele, e nao sao poucos. A minha angustia parece afetar tudo ao redor, só consigo enxergar mais dor acumulada, não importa sua forma.
Uma mulher passa e esbarra num homem, o homem diz "não foi nada'', dá dois passos e em seguida diz ''idiota'', esboço um sorriso na cara, não preciso de mais palavras. Somos todos fingidos, enganamos a nós mesmos e achamos que estamos ganhando. Chega uma hora que fica bem claro a grande verdade da vida: estamos todos sozinhos - apego, apoio, laços, nada disso existe, nada que possa ser quebrado pode ser verdadeiro. Tudo não passa de mais uma forma de viver de uma maneira menos insuportável. Pra alguns funciona, pra outros não, no fim, como diz o velho Buk - todo mundo acaba no mesmo balde de merda.
Um dia corre, paro pra fumar um cigarro e olhar a chuva na porta, fico pensando em toda a merda que me perturba, um cara com síndrome e seu guarda-chuva azul passa, da um sorriso inocente e me diz boa noite, o fato me comove, talvez ele seja muito mais feliz que eu, por não enxergar a verdade.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
6:48 PM
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teu peito, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
9:48 PM
Sofremos calados.
Um de um lado
Um do outro
Um
Sabemos que pertencemos ao mesmo mundo,
temos as mesmas tristezas, realizamos as mesmas proezas.
Como posso ser um
se meu coração só se preenche com dois?
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Tarde de domingo 5:03 PM
Enquanto a chuva cai do outro lado da janela,
me pergunto o porque dela também invadir meu travesseiro.
Mas o motivo é tão óbvio, tão óbvio quanto o que vejo através dela.
A vida é isso mesmo.
A cinza cai e atravessa o colchão, só mais um furo.
É como se meu coração fosse um cinzeiro, cada vez mais sujo,
mais deteriorado.
É só mais uma tarde cinza de domingo.
